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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

De bem


Às vezes (quando a pequena me deixa) gosto de vir ao blogue espreitar o que escrevi há um ano atrás. Hoje vim dar com este texto, escrito exactamente há um ano e um mês.
Consigo sentir a dor nas minhas palavras. A confusão de espírito. O pessimismo. A destruição interior.
Um ano depois e tanta coisa mudou. Eu mudei. Ou, melhor, aceitei. Fiz as pazes comigo.
A adaptação a um novo país, a uma nova realidade é vivida por cada um de maneira muito diferente. Contudo penso que quando acalmamos “a paixão e a excitação” da mudança há aquele período de “ai meu Deus”, da realidade, do desencantamento, da dúvida, da “solidão interior”…e quase…do desespero. Comigo foi assim.
Todos me diziam (os que já cá estão há muitos anos) que isso passava. Que os primeiros 3 anos são os que doem, depois passa. Várias pessoas também me disseram que estava na altura de ter filhos!?
Eu não acreditava. Doía muito, as saudades, o abraço da amiga, a comida da mãe, os dias inteiros na praia, as jantaradas com os amigos. Doía e eu queria que doesse. Por isso escrevi esse texto para me lembrar que doía e não queria que essa dor passasse. Todos os dias a cultivava. Todos os dias encontrava coisas más na Holanda. Todos os dias me lembrava do sol de Portugal.
Passaram 3 anos. Fui mãe. A dor passou. Não sei se porque passaram 3 anos. Não sei se porque fui mãe. Não sei se por ambas. Não me importa. Estou feliz. Sou feliz. E é isso que me importa.
Este estado de alma foi algo que trabalhei em mim. Fiz muitas revisões anteriores.
O blogue também me ajudou, as apenas 42 mensagens que escrevi em 2014 dizem-me como foi esse ano. Não sei escrever quando não estou bem.  
Não sei bem quando se deu a mudança, talvez com o nascimento da minha filha, talvez por pensar que não quero educá-la num ambiente triste e de desesperança. Porque os pais dela são pessoas alegres e divertidas. Também são humanos e, por isso, às vezes choram. E é bom chorar. Eu gosto de chorar. Sou de choro fácil, sempre fui. Mentira, houve uma altura, há uns anos que desaprendi de chorar, também estava triste e desencontrada, não chorava. Li algures que chorar faz muito bem, alivia e é verdade, para mim. Li que se não chorarmos é porque de alguma maneira “desistimos” de lutar. Por isso choro, choro sempre que me dá vontade. Eu sou uma guerreira nunca vou parar de lutar, está-me no sangue. Não travo o choro. Às vezes choro no silêncio da minha cama de saudade. Não porque estou triste mas porque me dá saudade e a saudade dá-me lágrimas.   
Depois de três anos de Holanda fiz as pazes comigo e com ela. Do verbo voltar já resta pouco. Hoje estou bem, estou feliz. Somos uma família. Estamos a crescer juntos, a aprender a cada dia. Já gosto da Holanda. E todos os dias me apaixono por Amesterdão. Gosto tanto desta cidade.
Quando saio sozinha na minha bicicleta sinto-me uma sortuda. Sinto-me livre. Esta cidade é tão bonita, tão cheia de vida.
Portugal está lá. Está aqui. Guardadinho no meu coração. Mas eu estou cá e o meu coração também. Se chove fico em casa, no quentinho com a piolha e o cão. Tão bom. Se faz uma hora de sol vou correndo para o parque com eles e aproveito esse raio, adoro senti-lo na cara. E sou feliz.
Já não critico (bem critico, mas não negativamente) faça chuva ou sol. Aceito. E é tão mais fácil.
Lá está é a lógica “do copo meio vazio ou meio cheio”. É sempre melhor jogarmos pela positiva. É tão mais fácil.
Há tempos também li que a força das nossas palavras altera muito o nosso estado de espírito. Acredito. Palavras como nunca, odeio, detesto…são muito fortes e negativas. Se é esse o nosso registo diário vamos, sem querer, ser pessoas mais azedas, mais infelizes, mais negativas. Eu tento não dizê-las. E faz diferença.
No outro dia dei por mim a dizer a uma colega que quando nos tornamos mães deixamos de ser egocêntricas. Se calhar é verdade. Agora penso muito menos em mim. Ou melhor penso mais em nós. E sei que o verbo amar e o verbo ser feliz, hoje, estão aqui.
Obrigada!

(PS. Ser feliz só depende de nós. Há muitos factores externos que podem facilitar mas a felicidade é um sentimento interior não exterior. Este texto explica isso muito bem.)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Felicidade é...

...ir ao bosque num dia frio.
...ver as neve nas àrvores.
...quebrar o gelo superficial com as galochas.
...rirmos por nada.
...comermos muffins com café quentinho olhando para este cenário.
...Os quatro. SEMPRE. Os quatro.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Babyconcertje

Hoje fomos, em família, a mais um baby concertje, aqui.
Já tinhamos ido na altura do Natal e gostamos imenso. A Lia esteve super calminha e muito atenta as melodias suaves dos violinos.
Prometemos repetir e foi hoje, desta feita ao piano, solo. Não gostamos tanto. Penso que pela quantidade de gente. Da primeira vez era menos gente e bebes mais pequenos. Hoje a sala estava cheia e havia crianças já mais crescidinhas, que queriam era correr, brincar e explorar e depois claro os bebés de colo como a Lia.
Achei que o reportório das músicas também não foi o melhor desta vez. 
Mas acabou por ser uma manhã muito bem passada porque esta actividade foi feita com os outros casais que conhecemos no curso de preparação para o parto. Depois do concerto fomos confraternizar para aqui.
Há cerca de 6 meses atrás, quando nós conhecemos, estavamos todos gravidissimas, na extectativa de conhecer os nossos bebés et voilá, cá estão eles, todos lindos, todos saudáveis graças a Deus.
Todas com uma história diferente acerca do parto mas o importante é que tudo correu bem para todas.
9 casais.
10 bebés.
Um dos casais (ela sueca, ele italiano) uma menina e um menino, a Vitoria e o Leonardo. Lindos, lindos. Eles tiverem a pior história para contar, ela teve um parto prematuro, com risco de vida. Foi uma super mulher (é assim que o Alfi, o marido a chama). Depois do susto e de algumas semanas no hospital a família foi descansada para casa om dois bebés lindos nos braços.
Gosto imenso deste grupo, nós, as mulheres, criamos até um grupo no WhatsApp onde todos os dias partilhamos as nossas noites mal dormidas, as conquistas, as aprendizagens, os receios, as neuras. O que é certo é nós tem feito muito bem a todas este grupo. Saber que não somos as únicas em certos receios ou sentimentos. Há sempre uma palavra amiga.
Apesar de ter muita gente à minha volta com filhos pequeninos, inclusive a minah irmã, gosto muito deste grupo porque os bebés são todos da mesma altura, A Lia, por exemplo nasceu um dia antes do Matias ( o filho de uma Argentina/Uruguaiana com um belga/holandês). Sendo os bebés tão próximos uns dos outros estamos todas a viver esta experiência ao mesmo tempo. O que torna mais interessante a partilha.

Amsterdam é uma cidade viva,está sempre algo a acontecer , há uma infinidade de coisas para fazer, então para crianças as possibilidades são imensas. Eu gosto imenso do conceito de kids cafes que por aqui há.
Da ultima vez que o nosso grupo de tinha juntado foi prencisamente num desses cafés, este. Mais uma dica para quem tem miúdos.
Em Portugal, pelo menos em Faro, não conheço nenhum mas também nunca me interessei muito pelo assunto pelas razões obvias.
Deixo-vos com algumas fotos do primeiro babyconcertje que fomos e que eu tanto gostei. 


sábado, 17 de janeiro de 2015

As maravilhas desta cidade

Aproveitando o solinho bom de hoje decidimos fazer turismo cá dentro.
Aviso já que não há fotos, só as guardadas na minha memória. A camera ficou em casa sem bateria e para além disso não sou grande fotografa e às vezes falta-me a paciência, portanto como se diz por cá helaas pindkaas (infelizmente manteiga de amendoim).   
Aquilo que eu quero dizer com este post é que gosto mesmo muito desta cidade (e atenção estamos em pleno inverno, ok hoje até fez e eu não fumei-nunca- coisas estranhas).
Por não viver no centro às vezes esqueço-me um pouco do quão bonita ela é, as casas tipicas, as dezenas e dezenas de pontes, os canais, as bicicletas...é mágino. Apaixono-me sempre de cada vez que aqui faço turismo.
Arriscaria mesmo a dizer que Amesterdam é uma das cidades mais bonitas que conheço. Hoje andamos pela Dam, um clássico, onde decorria o Tulpendag.Já chegamos tarde, por isso já não fomos a tempo de apanhar tulipas fresquinhas. Passamos pela Rembrandtplein, pelo Nieuwmarket, cruzamos pontes e eu deslumbrada como se fosse a primeira vez.
Sentimo-nos os dois turistas na "nossa" própria cidade, às páginas tantas percebos que nem um nem o outro é amsterdammer, mas a nossa piquena sim. Onde quer que o nosso futuro seja ela nasceu aqui, minha amsterdammer.   

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

-1

A simpatica temperatura que marcam hoje os termometros de Amsterdam.
Uma brisa gelada que nos embala enquanto vamos para o trabalho a pedalar.
Eu gosto destes dias. Gelados mas sem a chuva e o vento (que definitivamente dispenso) e   com sol. Um sol lindo que nos ilumina o corpo e a alma.
Quero que as temperaturas baixem mais e que amanheça num 24 bem branquinho e geladinho. Tenho que admitir que um Natal com neve tem outro encanto.
Vamos ver se o meu desejo é realizado.
Bom dia alegria.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um passeio pelo bosque

Tivemos o fim de semana para nós e aproveitamos para ir ao AmsterdamBos. O cão adora e nós também.
Já algum tempo que lá não íamos e aproveitamos para explorar outra parte, ficamos apaixonados com as cores do Outono.
Ora ficam as fotos.

 

 
 
 

 
 
 

 
 

 
 



sábado, 9 de novembro de 2013

Depois de algumas tentativas falhadas acho que descobrimos o restaurante em Amesterdão que nos enche as medidas. Encalhamos nele, por acaso e à pressa, há cerca de dois meses, aquando da sessão de fotografias que fizemos a três.
Ficamos muito bem impressionados, tanto que para celebrarmos o nosso terceiro aniversário fomos lá.
De novo o mesmo atendimento 5*, a comida deliciosa, tipo caseirinha, o ambiente pequeno, tranquilo, acolhedor, os preços... ao jeito que nós gostamos.
Recomendo/amos este pequeno segredo.




sábado, 31 de agosto de 2013

Uitmarkt.nl

Por estes dias está a decorrer o uitmarkt em Amesterdão. Este evento é uma espécie de festival cultural para promover aquilo que a cidade pode oferecer em termos culturais. Muita música, teatro, dança, cinema, comédia. Os principais eventos são na Museumplein e Leidseplein. Eu passeio hoje por lá, o ambiente é super animado mas também tranquilo. Comida, bebida, concertos de vários estilos musicais, feiura do livro. Há imenso a acontecer.
Para nós o ponto alto foi quando ouvimos a Daisy Correia - a metade portuguesa, metade holandesa - como ela se apresentou, a apresentar o seu novo disco "Este meu fado". É sempre muito emocionante ouvir alguém cantar na nossa língua, algo que é tão nosso, numa sala cheio de holandeses rendidos ao nosso fado.
Ela não é a tipica fadista, nem pode ser, nem é assim que se apresenta. O seu fado é ligeiro, misturado às vezes com um pouquinho de jazz. Muito agradável de se ouvir. Gostei da forma como o interpreta, percebe-se que canta com alma, que o percebe e que o respeita. Vi nela um jeitinho da Mariza.E não me enganei
O ponto alto da noite foi quando explicou ao público (em holandês) que não conseguia explicar do que fala o fado, nem como se  sente o fado, mas que deixava ao critério de cada um senti-lo à sua maneira, pedindo ao público para fechar os olhos e em holandês cantou "chuva" de Mariza. Foi bem emocionante ver aquela gente toda de olhos fechados, a balançar ao ritmo da melodia.
Chuva é de longe uma das minhas músicas preferidas, então obviamente que as lágrimas não tardaram a aparecer, foi lindo.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Com as tulipas

Aproveitamos o fim de semana a andar por aí, a desfrutar do sol e de boa companhia. Passou a correr e que bem que soube.
Um dos programas foi a ida ao mundo encantado das tulipas. São tapetes de tulipas a perder de vista. É indescritível, a paisagem, o aroma, a paz. AMEI!









quarta-feira, 1 de maio de 2013

O dia da Rainha (que agora é rei)

(sei que há pessoas que passam por aqui todos - ou quase todos - os dias e eu tenho sido uma má bloguer porque passo dias sem cá deixar nada). Falta de tempo, muita falta de tempo, mas ás vezes também falta de disposição ou inspiração para escrever....por isso as minhas "desculpas".
Ontem vivi um dia fantástico aqui na Holanda, de muita animação, não fosse ele o grande dia da Rainha.
Para ser mais precisa o dia da Rainha cá na Holanda pode "comparar-se" ao Carnaval no Rio de Janeiro.Vá assim falando proporcionalmente ao tamanho dos dois países.
Os holandeses e muitos dos que cá moram, sobretudo em Amesterdão aguardam este dia com grande excitação, mas também há os que fogem daqui por uns dias.
Fez dois anos que festejei o primeiro Koninginnedag. Na altura ainda só cá estava de visita, mas foi precisamente nessa altura que decidi mudar-me para cá. Foi bom, mas passou-me tudo muito ao lado. O ano passado, já cá a morar, tive que trabalhar, por isso não festejei grande coisa. Ontem, calhou estar de folga e foi brutal. Sem grandes planos, andamos de rua em rua, de concerto em concerto, pezinho de dança aqui, pezinho de dança ali e muita macacada.
É impressionante a quantidade de gente que para aqui vem. A atmosfera é super pacifica e animada. Continuam-me a fascinar os barcos nos canais e para o ano quero mesmo estar num.
Para o ano será então o dia do Rei, visto que a rainha cansou-se de ser rainha e entregou o tono ao senhor seu filho.








domingo, 14 de abril de 2013

Gosto disto

O que eu gosto mesmo, mesmo, mesmos mas MESMO daqui!!!!!!!???
É esta liberdade de poder andar com o cão para todo o lado e de a probabilidade de ir a um café ou restaurante e de poder fazer isto ser assim de (vá não quero ser exagerada) 80%. É para lá de bom. O meu menino pode sentar-se comigo à mesa (ele ainda não come do meu prato, mas falta pouco).
Ainda o mimam com uma taça de água. Sim porque nós temos que pagar as nossas bebidas mas o menino Yofi tem direito a tratamento VIP, taça de água e às vezes biscoitos tudo for free. 
AMO!!!!!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tassen Museum

Hoje fui com a minha taalcoach ao Tassen Museum  (museu das malas e das carteiras).
Muito interessante, sem dúvida uma visita obrigatória a quem se diz louca por malas.
Este museu retrata a evolução das malas na Europa desde a Idade Média até aos dias de hoje. A coleção é absolutamente fantástica. Malas de todos os tamanhos e feitios. Com os mais diversos materiais, desde papel, a pele de elefante, passando por prata, enfim uma infinidade.
Diz-se que as malas começaram a ser usadas tanto por homens como por mulheres porque antigamente a roupa era desprovida de bolsos internos.
No final lembrei-me que a coleção estava incompleta, falta-lhes uma mala feita em cortiça. Tão bonitas e produzidas em Portugal. Ainda vou lá voltar para lhes dar essa sugestão.
Vai na volta nem sabem que existem malas em cortiça.
De qualquer maneira vale muito a pena a visita, até porque o edifício é muito bonito por dentro. Depois da visita ao museu há também uma cafetaria, onde se pode tomar um chá num espaço encantador.
Isto é uma espécie de mochila/caixa feita em madeira. Usada no seculo XVII para transportar e guardar a ardósia. Servia também de mesa, pois nesta altura ainda não as havia nas escolas. Interessante.  
Este é apenas um dos muitos exemplos que lá se podem ver. 
Dica: entrada gratuita com o Museum Kaart (gosto mesmo deste cartão)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O outro lado de Amsterdam

Relativamente ao meu último post, Amsterdam Underground o que posso eu dizer!? Foi uma experiência intensa, interessante, perturbadora e quase chocante. Possivelmente ainda consigo ser a menina ingénua que viveu 22 anos numa pequena aldeia no nordeste algarvio. 
Testemunhos como o do Frank (o nosso guia) deixam-me um nadinha perturbada e depois levo uns dias a digerir o assunto. Eu que sou educadora social, mas em primeiro lugar um ser humano, sensível que só eu!
O Frank contou-nos na primeira pessoa como é que um ser humano pode descer tão baixo e o que ele relatou foi simplesmente a sua história de vida sem metáforas ou romantismo. Limitou-se a ser prático, direto e eu diria até sereno. 
O Frank tem hoje 56 anos, consumiu drogas durante grande parte da sua vida, viveu cerca de 20 anos na rua, está limpo há dois anos. Ele levou-nos a conhecer as ruas de Amesterdão vista dos seus olhos.
Foi assim que ele começou: "Sou holandês, cresci neste bairro - no centro de Amsterdam, atualmente extremamente turístico - se me dissessem há 35 anos atrás naquilo que a minha vida se iria tornar eu diria que seria impossível e até rir-me-ia.....mas aconteceu e pode acontecer a qualquer um, sem exceção!". 
Nesta tour ele levou-nos aos antigos pontos críticos no mundo da droga em pelo coração de Amesterdão. As ruas bonitas que hoje os turistas tanto apreciam, cheias de lojas e restaurantes, onde se pode circular à vontade, há não muitos anos atrás eram circuitos de vendedores e consumidores de droga. Contou-nos todos os detalhes, coisas que eu estaria longe de imaginar. Por exemplo, os vendedores andam com pequenas doses de droga na boca para vender, caso os polícias os apanhem tem que a engolir para não irem presos. Contudo tem um limite de tempo para a colocar fora do organismo, caso contrário a morte é certa. Os truques são ingerir óleo para a defecar ou sal com coca-cola para a vomitar. Este é apenas um dos muitos pormenores que ele nos contou de um mundo tão violento e cruel. 
Ao longo de cerca de 35 anos consumiu drogas e desceu até onde podia. Viveu cerca de 20 anos na rua, começou por alugar pequenos quartos de hotel até que o vício não lhe permitiu desperdiçar dinheiro que não fosse para drogas. Viveu 10 anos na rua, debaixo da ponte (mostrou-nos qual era a ponte mais segura para dormir), vendeu, consumiu, passou droga no estômago, prostituiu-se, partiram-lhe o nariz seis vezes, as costelas outras tantas, têm vários cortes de faca cravados na pele, o coração parou duas vezes, uma das quais foi dado como morto...mas o seu coração teimou em bater novamente....Enfim foram duas horas de um relato de vida impressionantes. 
Há cerca de dois anos parou, continua limpo e quando lhe perguntei se tinha receio de uma recaída e respondeu-me firmemente que não, que já tinha vivido o suficiente no mundo da droga e que agira queria viver descansado o resto da vida. 
Termino também com uma das suas últimas citações. "Os primeiros anos a consumir drogas foram fantásticos, é um mundo que nos dá prazer, faz-nos felizes, consumimos para descontrair....é bom. Contudo há um limite e o problema é perceber quando chegamos ao limite e parar. O limite é quando já não conseguimos ser felizes e estar descontraídos sem drogas e aí parar é quase impossível...queremos acreditar que ainda temos o controlo, mas já há muito que o perdemos". 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Amsterdam Underground

Porque sou voluntária no Regenboog Groep recebi o convite para me juntar a iniciativa Amsterdam Underground. Vai ser hoje às 19h.
Não sei exatamente aquilo que vai acontecer, só sei que vamos entrar no mundo das drogas e da toxicodependência guiados pelos próprios viciados.
Confesso que estou um pouco nervosa e ansiosa.
Depois conto como foi.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Rembrandthuis

Rembrandt é um dos grandes pintores holandeses e a casa que fomos visitar hoje foi a sua residência em Amsterdão, onde viveu e pintou entre 1636 e 1658. Ao que parece teve que a abandonar pois não conseguiu pagar a hipoteca ao banco. Em 1911 foi convertida no Museu Casa de Rembrandt e mantém as características principais da original moradia do pintor. 
Aspectos interessantes e em quais já me tinham perguntado nos outros museus é o facto de as camas serem tão pequenas e metidas numa espécie de armário. Segundo a guia, na altura acreditava-se que se dormissem totalmente na horizontal morreriam porque o sangue ficaria na cabeça, então dormiam meio sentados. Interessante. 
De resto, a casa não me impressionou e na minha opinião não sei se valerá os 10€ de entrada. Valeu-me o Museumcard - não paguei nada. 




Atenção, perdoe-me os amantes de arte e de pintura eu sou uma leiga na matéria, talvez por isso não consiga apreciar com os olhos de uma entendida.  

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mariza


Foi fantástico, inesquecível e arrepiante o concerto da Mariza ontem à noite no Teatro Carré. Quase duas horas de pura magia.
O nome do Fado e de Portugal brilhou e a Mariza encantou. Cantou, dançou, brincou e interagiu com o público. Fez questão de saber que haviam portugueses e disse "espero trazer-vos um pouquinho de Portugal". Foi lindo.
Foi homenageada pelo Embaixador de Portugal na Holanda e recebeu o Edison Music Award. É um prêmio anual para músicos em várias categorias. Foi mesmo emocionante.
Numa altura em que o fado comemorou um ano de Patrimônio Imaterial da Humanidade foi uma excelente maneira de festejar. 
Eu amei, o holandês também, bem como os pais deles, que foram presenteados e surpreendidos com esta bela surpresa. 



 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Casa Anne Frank

Li o diário de Anne Frank há muitos anos, talvez tivesse eu uns 16 anos. E apesar de ainda ser muito imatura para perceber a história na sua complexidade foi impossível ficar indiferente a este diário, que nos marca profundamente. Mais que não seja porque nestas idades identificamo-nos com esta menina que escreve sobre coisas de adolescente, mas também consegue transmitir-nos o medo de ser apanhada pelos nazis, apenas por ser de origem judaica. É um livro e testemunho impressionante.
Hoje visitei, finalmente a casa da Anne Frank. Usei o meu Museumkaart, fiz uma reserva pela internet que me custou 0,50€ e me garantiu entrada imediata, sem ter que esperar na interminável fila. Todos os dias há filas, não vale a pena pensar que não. Sei que muita gente acaba por não visitar esta casa/museu porque normalmente as filas são enormes. Aqui está uma solução, reservar o bilhete pela internet garante a entrada sem esperar na fila.
Continuando, a casa de Anne Frank, agora museu retrata o esconderijo onde, durante a Segunda Guerra Mundial, esta menina juntamente com a sua família se escondeu dos nazis e escreveu o seu diário, que haveria de ser um enorme exito a nível mundial.
Anne Frank é uma entre os milhões de vitimas da perseguição dos judeus durante a Segunda Gerra Mundial.
Ela nasceu na Alemanha em 1929 mas viu-se obrigada a mudar para a Holanda (Amesterdão) em 1933, quando Hitler sobe ao poder. Contudo em 1940 o exército alemão invade os Países Baixos e dia após dia são implementadas medidas contra os judeus. Com receio a família Frank esconde-se em 1942 no anexo/sótão de uma casa em Amesterdão, a eles juntou-se mais uma família judaica.
Em 1944, após uma denúncia feita por telefone foram descobertos, presos e enviados para o campo de concentração de Auschwits.
Das oito pessoas escondidas apenas o pai de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto. Anne Frank morreu com 15 anos de tifo, no campo de concentração, um mês antes da libertação.
Visitar a casa, ainda que a mesma seja um museu e já não esteja tal qual era é emociante e inquietante. Este é um período vergonhoso da historia da humanidade, visitar esta casa, imaginar o que estas pessoas sentiram é absolutamente tenebroso.
Ficam algumas imagens da internet, pois não é possível tirá-las ao vivo.
Anne era apenas uma menina cheia de vida e de sonhos, como qualquer outra da sua idade. 

Esta era a estante que escondia a passagem para o anexo, onde viveram durante dois anos. 


Anne escreveu isto, bem como escreveu a determinada altura que gostaria de ser jornalista ou escritora. Gostaria de editar livros que fosse lidos em todo o mundo. Mal podia ela imaginar que isso aconteceu pelas piores razões e que através do seu diário ficou para sempre imortalizada.

domingo, 7 de outubro de 2012

"I am not a tourist"

Se há coisa que eu posso tirar o chapéu a estes holandeses  e particularmente aos de Amesterdão (e posso tirar o chapéu em muitas coisas, com certeza) é a forma como eles recebem, aceitam e acolhem os emigrantes nesta cidade. Há um imenso leque de infra-estruturas, associações, organizações, exposições, feiras, mercados e sei lá mais o quê a acontecerem frequentemente no sentido de integrar os que são de fora. Desde que cá estou já aconteceram algumas, há cerca de um mês fui a uma espécie de feira virada sobretudo para a aprendizagem do holandês. Onde havia várias escolas, livrarias e muitos outros stands relacionados com este mas também outros assuntos.
Hoje aconteceu a Expat Fair 2012 sob o tema "I am not a tourist". O programa realizou-se entre as 10h e as 17h e eu estive lá. A oferta era variadíssima ia desde como abrir uma conta bancária na Holanda até comprar cá uma casa . Para ficarem com uma ideia:
- Direito do trabalho e impostos;
- Tributação,
- Habitação,
- Orientação para a procura de trabalho,
- Aprender o holandês,
- Saúde na Holanda,
- Comprar uma casa na Holanda,
- Casamento na Holanda,
- Cultura holandesa,
- Abrir a própria empresa na Holanda,
- Crise financeira global. Como ser bem sucedido na Holanda,
- Educação e formação dos filhos na Holanda.
Workshops:
- A experiência de chocolate,
- Zumba,
- Degustação de queijos e coktails.
...e muito mais

Entre stands, apresentações, workshops e animação não houve tempo para tudo. A oferta foi definitivamente muito rica.
Eu acho que estas iniciativas são de aproveitar para pessoas que tal como eu querem passinho a passinho integrar-se o mais possível aqui.
De realçar que tudo isto aconteceu em plena Dam, no edíficio Beurs van Berlage, considerado um importantíssimo monumento arquitetônico. Foi construído com o principal objectivo de servir o comércio, albergando posteriormente durante muitos anos a bolsa de valores.


(imagens retiradas da internet)