quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mais um ano

Sempre gostei de acreditar que o reconhecimento profissional virá mais cedo ou mais tarde e muitas vezes mascara-se das mais variadas formas. Não preciso de grandes festas nem elogios, ainda que também saibam bem. Tenho uma filosofia de trabalho, que muitas vezes foi criticada (por colegas) em Portugal. A mim paga-me para trabalhar para ser útil, pontual, assídua, responsável e cumpridora. Se nos entretantos houver tempo para o café e para a galhofa tanto melhor, caso contrário, azar e mãos à obra. O que é certo é que esta maneira de pensar me levou muitas vezes para casa com o amargo rótulo de anti-social. Temos pena fui assim que me eduquei em termos profissionais...aprendi com grandes mestres, no meu primeiro trabalho com 18/19 anos. E ainda bem que aprendi, pois é um método do qual muito me orgulho e é para isso que me pagam!!!
Em Portugal comecei a trabalhar aos 16 anos (férias de verão) e depois a sério a partir dos 18 anos. Desde lojas dos mais variados ramos, cafés, secretária, animadora, mediadora imobiliária, promoções de supermercado até a minha área de estudo educadora social, já lá vão cerca de 15 anos de experiência profissional sem nunca estar desempregada, sem nunca ter sido despedida....algo que muito me orgulha. 
Bem, retifico. Fui dispensada de trabalhar na loja Zara (depois do 4º dia de trabalho - part-time que acumulava com outro trabalho) porque me recusava a trabalhar horas extras sem ser paga. Digo horas, não digo minutos. Sou cumpridora dos meus deveres, não sou parva e como gosto de cumprir, também gosto que cumpram comigo. Enquanto não precisar para comer e dar de comer ainda recuso a exploração. 
Saboreei o doce amargo do "desemprego" quando me mudei para a Holanda e confesso que detestei. Após dois meses de cá chegar encontrei um trabalho temporário para substituir uma pessoa que ia de férias, ela voltou e eu fiquei com contrato de 0h. Se houvesse trabalho, trabalhava, se não ficava em casa. Passado algum tempo farta desta situação arregacei mangas e encontrei algo interessante, completamente diferente da minha área de formação (mas também foi o preço a pagar pela minha mudança). Após 7 meses de trabalho, o contrato quase a findar, as esperanças de ficar eram nulas, pois é uma empresa virada para o turismo, que desce drasticamente no Inverno aqui em Amesterdão. Quase convencida que seria agora que teria de apelar pelo subsidio de desemprego, ainda não será desta. Soube hoje que irei fazer parte desta equipa (se eu assim o entender) por mais um ano. Numa empresa que não dá elogios de graça, para mim este é o elogio, é o acima de tudo o reconhecimento daquilo que tenho feito. 
Se me sinto realizada neste trabalho? Não, não me sinto!! Seria difícil sentir depois de ter trabalhado 5 anos em Portugal como educadora de adultos, trabalho que me lavava a alma diariamente e me enchia de orgulho.
O trabalho que aqui tenho está muito bom por agora, onde tenho oportunidade de contactar com pessoas de todo o mundo, onde tenho um equipa de trabalho fantástica, onde falo diariamente três línguas e onde aprendo todos dia um pouquinho. Está muito bom. 
Aprendi cedo que independentemente de gostarmos ou não, profissionalmente teremos sempre que fazer o nosso melhor. Estamos a vender a nossa mão-de-obra e a dar a nossa cara...e isso é muito para mim! 
Se não gostarmos temos bom remédio, sair (de cara lavada) com a certeza que a porta não se fecha, pois o dia de amanhã ninguém o sabe. 
É assim que penso e ao longo destes 15 anos não me tenho dado mal. Cedo ou tarde o reconhecimento vêm das mais variadas formas. Obrigada. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Aborrece-me...

....podia ser outra coisas qualquer, mas hoje é mesmo isto. Aborrece-me o som das bicicletas que estão com alguma avaria técnica na corrente, no pedal ou em outro sítio qualquer, aborrece-me e pronto. Às vezes fico tão impertinente com o barulho que me apetece parar, fazer parar o proprietário da dita cuja e mandá-lo arranjá-la. Opá, caramba esta manhã ia feliz e contente para o trabalho, respirando o ar gelado do  Vondelpark, ouvido os passarinhos quando atrás de mim se mete alguém com trrrr, trrrr, trrrrr, trrrr, trrrr...tentei apressar o passo, mas o som persegui-me até ao fim. 
Agora à noite depois de um dia de trabalho, seguido de 2h de formação, ansiosa por chegar a casa, pedalo a todo o gás para me cruzar novamente com um trrrrr, trrrrrr, trrrrr a casa pedalada. Valha-me a Santa pedalei até ter os bofes de fora, deixei de ouvir o barulho, ufaaaaa. Tive que parar no semáforo e foi o suficiente para o barulho me passar à frente - quando a luz ficou verde - e lá fui eu a gramar a sinfonia. 
Parece exagero, mas quando se mora numa cidade onde o meio de transporte mais utilizado é a bicicleta...aborrece!!!

domingo, 16 de setembro de 2012

Assim sou eu (aos olhos dos outros)

Estou a fazer um mini-curso de técnicas de procura de emprego aqui (em holandês). Basicamente é para saber de como apreciam o CV, carta de motivação e apresentação em entrevista aqui - quando digo aqui, falo sobretudo em empregadores holandeses, não em multinacionais. Curiosamente (já não me surpreende) o CV deve ser o mais curto e sucinto possível, máximo 2 páginas. Sim, que os holandeses tem mais que fazer aqui do que ler histórias de vida....simples, rápido e eficaz são palavrinhas mágicas neste pedacinho de terra. 
O modelo Europass aqui, não é utilizado e (ninguém) o conhece, segundo me consta. Portanto, o meu CV de quatro páginas já muito resumidas vai ter que ser encolhido para duas. Não fui mal sucedida nos que enviei ao longo destes meses. Mas ainda assim vou ouvindo e seguindo os conselhos. 
No decorrer da primeira sessão do curso foi-nos pedido, como TPC, para pedirmos elogios a quem nos conhece. Elogios sabem sempre bem, são como docinhos na nossa vida. No meu caso também me surpreenderam vindos de colegas de trabalho que me conhecem há tão pouco tempo. 
Então é mais ou menos isto que aos olhos dos outros sou:
 Persistente,
Otimista,
Responsável, 
Pura, 
Justa, 
Engraçada, 
Preocupada, 
Honesta, 
Doce, 
Sincera, 
Generosa. 
Realista, 
Querida, 
Empática, 
The last but not the least:
"She uses all the strength of her heart to put her ideas in action. She aim to the highest ideals. She keeps her word.
Nos entretantos, hoje, aconteceram umas coisinhas menos simpáticas no trabalho e fui acusada de "to sweet, naive and honest". 
Pronto, obrigadinha por tudo!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Paragem forçada

Ontem concretizei uma decisão que já há muito que andava a ser ponderada. Foi difícil porque quando inicio um projeto é para levá-lo até ao fim e desistir é uma palavra que eu não gosto. Esta decisão ainda que não tenha sido uma desistência feriu o meu orgulho.
Parei o curso de holandês!! Pois foi, teve que ser (ou pelo menos é aquilo em que quero acreditar).
Comecei o curso em Dezembro (mês e meio de cá estar) e termina em Dezembro com a obrigatoriedade de fazer o exame NT2 - B2.
Não me sinto minimamente preparada porque o nível é bastante elevado e não quero chegar ao exame e espalhar-me redondamente. Ainda que seja quase normal ter que se repetir o exame numa das partes, normal não será ter que o repetir no seu todo. Quero evitar isso e como tal esta foi a estratégia. Ganhar tempo, estudar mais, ouvir, ler, falar e praticar o mais possível  nestes meses de paragem.
Quando fiz a entrevista para entrar no curso, a orientadora aconselhou-me a escolher um nível mais baixo, tendo em conta que não sabia absolutamente nada e vivia cá havia muito pouco tempo. Mas eu sou teimosa e achei que um ano era suficiente para aprender uma língua completamente diferente da minha. Tonta, dei o passo maior que a parte, pois claro.
Claro que agora percebo o tamanho do erro que cometi. Porque o curso é bastante exigente desde início, porque é muito intensivo e porque um ano não dá para nada e passa depressa. E eu não sou propriamente uma inteligência nata em línguas e devia ter pensado nisso quando o meu optimismo me cegou.
De qualquer maneira já que me coloquei este desafio a mim mesma vou lutar por ele, com as armas que tenho. Esta pausa não é para arrumar o holandês numa prateleira é sim para estudar e perceber matérias que foram dadas no início e que são bases muito importantes para todo o resto (construção frásica....).
O curso é intensivo, nos primeiros meses tivemos 9h de aulas em sala, mas tínhamos que estudar 15h extras em casa. Ou seja fazer trabalho de casa, que eram sempre muito, preparar a aula a seguir....e eu sempre cumpri à risca. Mas mesmo assim não foi suficiente para mim.
Certo é que já há muito que não me sentia motivada para ir às aulas, mais parecia que ia comprovar que não sabia nada de nada. era uma tortura e assim é difícil aprender. Curiosamente, algumas das minhas colegas de curso (com mais tempo de Holanda que eu) também não se sentem preparadas e ficaram com a ideia na cabeça.
Esta paragem foi pensada para estudar por mim mesma, retomar o curso quando entender que já estou mais dentro da língua e fazer o exame com mais confiança e hipóteses de ser bem sucedida. Enfim....a ver vamos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Burrice

Caramba que às vezes consigo ser mesmo burrinha ao quadrado. Há uns bons meses a esta parte que de vez em quando pensava...há tanto tempo que não recebo comentários aos meus posts. Isto deve andar mesmo pouco interessante. Afinal de contas é apenas e só a minha vidinha na primeira pessoa. Já ninguém lê, já ninguém comenta, ponto. Pois, hoje que fiquei abandonada em casa (o homem foi ver o futebol com um amigo) pensei em dar um tempinho ao blogue e a resolver um probleminha técnico no separador dos seguidores que há muito que não consigo visualizar. O que me aborrecem os problemas técnicos e a pouca paciência para os resolver. 
Bem, continuando...andava eu a explorar o meu próprio blogue quando a um cantinho vejo "moderação de comentários" e a seguir uma palete deles por publicar, eliminar....A minha alma ficou parva!!
Desculpem lá oh senhores leitores por tamanha burrice e por os ter ignorado (sem saber). Isto tudo porque em tempos aborreci-me com um comentário que alguém aqui deixou e entendi que o blogue é meu e publico aquilo que bem entender. Quem quiser ter um blogue para descarregar frustrações que crie um e faça dele o que me entender. 
Curiosamente, num dos comentários veio logo alguém escrever que é pena que não publique a opinião dos meus leitores. Bem, ainda que isso seja um direito a que a mim me assiste neste espaço que é MEU, não foi esse o caso, foi mesmo pura burrice.
Aos demais comentários, obrigada pelas palavras fofinhas e de incentivo.