quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Esta aventura chamada Ser Mãe

Já passaram quatro semanas e eu pergunto-me como é que isto passa tão rápido? Não tarde já ela tem 18 anos, sai-me de casa e eu nem dou por isso.
O que é certo é que entre mamadas, mudas de fralda, pôr a dormir...o tempo vai passado e não há tempo para muito mais.
Somos, ou melhor sou/era tão ingênua antes de ser mãe, ou se calhar parva ou otimista (vá, é assim que prefiro ver as coisas). Sempre ouvi dizer que os bebes dão muito trabalho e que não há tempo para mais nada e blá, blá, blá ...lembro-me até de uma professora na faculdade (não sei a propósito do quê) nos dizer "esqueçam as teses de mestrado ou doutoramento para quando forem mães". Não sei porque é que isto me ficou na memória mas ficou. Voltando ao meu otimismo, eu bem lá no fundo sempre pensei que se fosse mãe um dia, haveria de ser diferente comigo. Não que tivesse o tempo todo do mundo com um bebé, mas haveria de arranjar a maneira de me organizar para ter tempo para "tudo" e facto é que não tenho! Não tenho e pronto! E acho até que tenho uma bebé calma o quanto baste e que até faço bastante mas não consigo fazer tudo o que quero e que tenho planeado.
- Há talvez mais de duas semanas que ando para organizar o dossiê da Lia (com papelada, documentos, registro de nascimento e afins);
- Há outro tanto tempo que ando para iniciar o álbum dela de nascimento;
- Desde que ela nasceu que quero começar a escrever uma espécie de diário dela para ela;
- Organizar as fotos que vou tirando;
Já para não dizer que tinha planeado escrever mais aqui na Salsinha. Que queria/quero recomeçar a estudar holandês....ler um livro, ver um filme, também não. Ou então são tarefas que são deixadas a meio porque tenho este pequeno ser que me suga de meia em meia hora ou na melhor das hipóteses de hora a hora...mas isto não são queixumes, DE TODO, são apenas constatações de uma ingênua que admite que aqui em casa não é diferente.
É por tudo isto que penso frequentemente nas mulheres que embarcam na maternidade sozinhas, por decisão ou por acaso do destino, ou aqueles que por mais acompanhadas que estejam estão igualmente sozinhas nesta aventura. Não que seja impossível fazê-lo sozinhas, não o é, mas que é muito mais dificil, deve ser.
Eu tenho quatro semanas desta aventura, na qual estou rendida, e confesso que adoro a hora que o Gerben chega a casa e eu divido com ele este amor e esta responsabilidade. E ele, bem dele eu não posso dizer que me ajuda, pois isso seria injusto. Ele faz tudo comigo, ele não me ajuda, nós ajudamo-nos um ao outro. E é tão bom partilhar esta felicidade e este amor um com o outro. Este amor que nasceu de uma história tão bonita como a nossa.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Duas semanas de ti, Lia

Há duas semanas que vivemos em função da nossa princesa. Têm sido duas semanas de descoberta, de aprendizagem, de adaptação, de encantamento, deslumbramento e sei lá mais o quê.
A primeira semana foi de aprendizagem intensa com a ajuda da kraamzorg. Uma ajuda preciosa para uma mãe de primeira viagem. Ela chega quase como uma "mãe" e ensina "tudo", transmite-nos confiança e segurança.
Sinceramente um apoio de louvar, não sei como as pessoas fazem em Portugal, depois de saírem do hospital com o bebé. Possivelmente vai-se pelas ideias dos familiares, vizinhos e afins, mas ter a ajuda de alguém neutro e profissional é sem sombra de dúvida uma mais-valia.
Eu era das que torcia o beiço as ideias da Holanda quanto a forma como conduziam a gravidez. O assistidas por parteiras, em vez de médicos, os partos em casa, o não a epidural, o vir para casa logo a seguir ao parto...etc, etc, etc. E agora sou eu que digo aqui é tudo muito mais natural. Tenta-se que este momento seja único e o mais natural possível, porque é isso que ele é, um acontecimento da natureza. Os médicos estão lá e só entram em ação em caso de risco.
Eu vim para casa 4 horas depois do parto. Ninguém me expulsou do hospital. Apenas me disseram que estava tudo bem comigo e com a bebé e quando me sentisse preparada podia ir para casa. E eu queria muito vir para casa. Ver o Yofi e a reação dele com a Lia. estar no conforto do meu lar com os amores da minha vida.
Voltando a estas duas semanas...o Gerben decidiu tirar férias e ficou comigo uma semana e meia. Foi ótimo vivermos os dois este momento único, foi como estarmos os quatro dentro de um casulo. Acordarmos, olharmos para a nossa menina, sentir que era mesmo verdade que ela estava ali, aprender a amamentar, mudar fraldas, dar o primeiro banho, tirar a temperatura, vestir, vê-la a abrir e a fechar os olhinhos, a olhar para nós. Tamanho deslumbramento.
Da primeira para a segunda semana sentimos muita diferenças. A Lia passou de um bebé muito calminho na primeira semana, que só dormia e tinha que ser estimulada para comer para um bebé consideravelmente ativo, que chora (berra) imenso se está com fome e que quer atenção quando está acordada. E nós adoramos tê-la ao nosso colinho, sentir o cheirinho dela, dar-lhe beijinhos....e sentir este amor que só tem espaço para crescer.
A pesagem

Yofi , o protetor 

O primeiro banho, dado pela mamã 

O segundo banho, foi a vez do papá 

A primeira visita, os avós paternos 

O teste do pezinho 

O primeiro passeio pelo parque - com uma semana


Amor, amor, amor....


A desfrutar do solinho na varanda e a completar duas semanas de vida
Amo-te Lia.  

Bem-vinda princesinha

Depois de 36 horas desde a primeira contração,
Muitos ais e uis,
Uma demorada dilatação,
Uma epidural, a contrariar as minhas expectativas (nem tudo se controla),
Um atendimento excepcional de toda a equipa desde o primeiro ao último segundo no hospital St Lucas Andreas,
E um tempo recorde de expulsão (segundo a parteira) 13 minutos....chegou a nossa princesinha Lia, no dia 13/08/2014 às 14:30 com 3.020 kg.
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Este momento único que é o nascimento dum filho só quem o viveu saberá sentir a intensidade do momento. Não há palavras por mais bonitas que elas sejam para descrever a beleza deste acontecimento.
NADA, na minha vida, foi tão intenso como receber a minha filha no meio peito a seguir ao seu nascimento. Quero guardar, para sempre, na minha memória e no meu coração este milagre da natureza.

Este pequeno ser a quem conhecemos num minuto e passamos a amar incondicionalmente, mais do que à nossa própria vida. Passamos a vida a ouvir isto de outras mães, mas só se acredita quando se vive.
Este pedacinho de gente que chega e nos rouba o coração. Tanto eu como o pai estamos  completamente rendidos a ela.
Bem-vinda princesinha. Bem-vinda amor das nossas vidas. LIA.

Ainda no hospital, cerca de uma hora e meia depois do nascimento

 
Papy e mamy a cumprirem a tradição holandesa. Fomos os primeiros a comer as beschuit met muisjes.  São basicamente umas tostas com umas bolinhas doces com sabor a anis. Se for menina as bolinhas são cor de rosa, se for menino são azuis.  Estas são uma forma de dar as boas vindas à chegada do bebé e são oferecidas a quem visita o bebé. 
Neste caso, mais um ponto a favor do hospital. Assim que a Lia nasceu fomos presenteados como uma mini garrafa de champanhe e com as ditas muisjes. 


Desde que a Lia nasceu que nos chegam a casa todos os dias postais de parabéns. Já são dezenas. E eu gosto tanto deste carinho para com a minha filha. Sabem bem estes miminhos. 
Pena que em Portugal tenhamos perdido o hábito de enviar cartas e postais. Todos os que me chegaram foram da Holanda e o que eu gosto desta tradição. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

fazer nada

não é para mim! Definitivamente. Não sei e não quero saber o que é isto.
Há cerca de um mês e meio que parei de trabalhar. Optei por tirar apenas as 4 semanas que são obrigatórias do período pré-natal e os dias de férias que tinha ainda para gozar este ano. Confesso que não tenho saudades do meu trabalho e quando parei de trabalhar soube-me muito bem. Esta altura do ano é bem movimentada e exigente e a minha atividade profissional, até pela logística do edifício onde trabalho requeria algum esforço físico, o que por fim já me custava  consideravelmente. Para além disso também foi bom parar porque ainda tinha mil e uma coisas para fazer/organizar. Lavar e passar a ferro todas as roupinhas, organizar tudo no quartinho da bebé, comprar coisinhas que faltavam, fazer as malinhas para a maternidade...e por aí a fora. O que é certo é que me mantive ocupada até à semana passada, entre aproveitar o bom tempo, fazer piscina, organizar o que faltava....estes dias passaram a correr. E até tive receio de não ter tudo pronto (como eu queria) para a tão desejada chegada da princesinha. Mas ela não teve ainda pressa de nascer e chegamos às 40 semanas com tudo prontinho. Dever cumprido!
Então, a semana passada foi assim mais tranquila. Lá me ponho a inventar coisas para fazer, aos inquietos, como eu, há sempre qualquer coisa para fazer. A casa está mais que limpa, o Yofi vai passear várias vezes ao parque, convida-se as amigas para beber chá, faz-se um bolo, despacha-se um livro de 660 páginas em 7 dias...e por aí a fora.
O fim de semana é sempre bom. Passa a correr. Eu, o homem e o cão somos viciados na companhia uns dos outros.
No sábado mudamos pela terceira vez a distribuição da sala. Os móveis são exatamente os mesmos mas é impressionante como a simples alteração de lugar dá a impressão que mudamos de casa e acho que foi desta que acertamos. Gostamos tanto da nossa nova sala. Têm um ar limpinho, organizado, arrumadinho.
Ontem mimamos o cão, ir com ele para o bosque é o melhor programa de sempre. Adora correr, cheirar, "caçar". Gosto tanto de o ver chegar a casa cansado, exausto, deitar-se no sofá ou na carpete, respirar fundo e entrar num sono profundo e feliz.
Nós...apreciar uma boa refeição, conversar, ouvir música, acabar a tarde a ver um bom filme e saborear um gelado, não é bom é felicidade.
Hoje, sozinha, com o cão, inventar para fazer. A casa está limpa, a roupa está lavada e passada, o bolo está no forno, o cão está passeado...
Vou (re)começar a estudar holandês. Tarefa que há muito ando a adiar. Aproveitar o livro novo que o marido ofereceu e está guardado na gaveta há meses.

domingo, 20 de julho de 2014

Afazeres de verão

Quisemos aproveitar o fim de semana ao máximo e foi isso que fizemos. Aproveitar o tempo que nos resta a dois e também o tempo maravilhoso que convida a atividades ao ar livre. Com tudo (quase) pronto para a chegada da nossa pequenita já andamos também mais tranquilos.
Na sexta feira e aproveitando o dia livre dele passamos parte do dia nas piscinas. Estava completamente lotada, sobretudo de crianças, mas passamos uma tarde fantástica entre banhos e a sombra das árvores.
Fomos para casa a correr pois já tínhamos combinado um barbecue no parque com um casal de amigos. Estava tanto calor e tão agradável que só fomos para casa porque anoiteceu. Entre comida e muitas histórias, aproveitamos que ele é fotografo e ainda fizemos uma sessão de fotos a dois (a três, melhor a quatro). Mal posso esperar pelo resultado.
Cansadinhos, cansadinhos dormimos que nem anjinhos.
Sábado, andamos a passear e a fazer mais umas comprinhas para a piquena e como comemoramos 9 meses de casamento (o tempo, ai o tempo, não passa...voa) eu dei a ideia de jantarmos no meu restaurante português preferido, em Roterdão, este. Entre uma carne de porco com ameijoas, um frango de churrasco, um pudim e um toucinho do céu saímos de lá de alma e barriguinha cheias. Para esmoer o jantar ainda demos uma voltinha na praia em Den Haag - Scheveningen. Estava uma noite que era um espetáculo. Quando vinhamos embora começou a chover torrencialmente, mas isso agora não importa nada.
Chegamos a casa por volta da uma da manhã, eu mais morta que viva, (cá para mim todos nós, o cão aterrou no sofá e não se mexeu mais) às vezes esqueço-me que estou grávida de 37 semanas.
Hoje, aproveitando que ele foi trabalhar extra, passei o dia na ronha entre a cama, o sofá e a espreguiçadeira na varanda. E que bem que soube fazer nada (ou quase nada, vá).