sábado, 13 de setembro de 2014

Por falar em Yofi. Quem tem um cão tem pelos em casa. Por mais que se aspire, que se limpe, há sempre um pelinho ou outro, não há como evitar...e eu nessa matéria não tenho um cão, tenho um gato. Não sei como é que um cão pequeno produz e expele tanto pelo.
Antes da Lia, tentava a todo o custo manter a casa limpa, mas depois da Lia tornei-me paranoica com os pelos. Não posso ver um pelo do Yofi nela. Comprei um mini aspirador para estar sempre à mão e diga-se de passagem dá imenso jeito. Já quase não uso o grande o grande. Começo por aspirar uns pelinhos e quando dou por mim tenho a casa todo aspirada com o mini aspirador, bem a minha casa também é mini, caso contrário probrezinha das minhas costas. Tenho também vários rolos autocolantes para sofá, cama, roupas e afins...enfim é uma saga aos pelos do Yofi. E para além disso compramos uma escova implacável para ele, uma furminator.
Quando sou eu a escovar o Yofi aquilo parece que não tira pelo nenhum porque a escova parece ser muito "agressiva" e eu faço a escovagem muito superficial e delicadamente. Já não digo o mesmo quando é o menino Gerben, que faz sem dó, nem piedade.
Esta manhã, aliás ontem de manhã (que já passa da meia-noite) pedi-lhe que o escovasse que já não dou conta de tanto pelo. Após uma boa meia hora veio-me com o cão parecia ele que me tinha saído do barbeiro. Acho que tirou pelo menos dois quilos de pelo ao cão. Tirou os pelos que estavam mortos e os que estavam vivos...resumindo tirou pelo a mais. Valha-me a Santa e pobre Yofi.

Ora aqui está a protagonista. Não lhe olhem ao tamanho do pente...de inofensiva tem muito pouco.

O Yofi e a doninha

Que o meu cão é um espetáculo isso já eu sei há muito tempo, mas ainda assim não me deixa de surpreender.
Passei toda a gravidez curiosa acerca da reação do Yofi com a chegada da Lia. Fui minimamente preparando-o para o grande momento. Falava-lhe dela, punha-lhe as patinhas na minha barriga, às vezes ele lambia-a. Também o fiz escutar vídeos de bebés a chorar, aos quais ele ficava muito curioso e rodava a cabecinha de um lado para o outro. 
Quando o grande momento chegou fiz o que me tinham recomendado. Eu entrei primeiro em casa fiz-lhe muitas festinhas e depois entrou o Gerben com a Lia, colocou a cadeirinha no chão e o Yofi correu para ela, olhou-a e cheirou-a, todo eufórico.
Nos primeiros choros dela ladrava muito e penso que no segundo, terceiro dia parou de ladrar e apenas corria para ela quando a ouvia chorar, o que ainda faz.
Desde o início que desempenha uma espécie de irmão mais velho porque já várias vezes nós mostrou sinais de proteção para com ela. A primeira vez que notei foi com a visita de uma pessoa estranha à nossa casa (a senhora do Consultatiebureau que veio fazer o teste do pezinho à Lia). Nunca vi o Yofi reagir tão mal com uma visita cá em casa. Ele adora receber pessoas, só lhe falta saltar-lhes em cima. Contudo, dessa vez ladrou-lhe agressivamente, cheirou-a, olhou-lhe de lado e eu boquiaberta e meio constrangida (e orgulhosa), pois nunca o tinha visto ter tal reação.
Para além disso não gosta muito que toda a gente a pegue ao colo, posso até dizer que fica meio ansioso.
Quando vai à rua, assim que chega a casa, a primeira coisa que faz é correr para onde ela está. Adora deitar-se ao lado dela e quando nós lhe damos beijinhos ele também a quer lamber.

 Esta foto foi logo nos primeiros dias


Cheira-me que vão ser grandes amigos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Esta aventura chamada Ser Mãe

Já passaram quatro semanas e eu pergunto-me como é que isto passa tão rápido? Não tarde já ela tem 18 anos, sai-me de casa e eu nem dou por isso.
O que é certo é que entre mamadas, mudas de fralda, pôr a dormir...o tempo vai passado e não há tempo para muito mais.
Somos, ou melhor sou/era tão ingênua antes de ser mãe, ou se calhar parva ou otimista (vá, é assim que prefiro ver as coisas). Sempre ouvi dizer que os bebes dão muito trabalho e que não há tempo para mais nada e blá, blá, blá ...lembro-me até de uma professora na faculdade (não sei a propósito do quê) nos dizer "esqueçam as teses de mestrado ou doutoramento para quando forem mães". Não sei porque é que isto me ficou na memória mas ficou. Voltando ao meu otimismo, eu bem lá no fundo sempre pensei que se fosse mãe um dia, haveria de ser diferente comigo. Não que tivesse o tempo todo do mundo com um bebé, mas haveria de arranjar a maneira de me organizar para ter tempo para "tudo" e facto é que não tenho! Não tenho e pronto! E acho até que tenho uma bebé calma o quanto baste e que até faço bastante mas não consigo fazer tudo o que quero e que tenho planeado.
- Há talvez mais de duas semanas que ando para organizar o dossiê da Lia (com papelada, documentos, registro de nascimento e afins);
- Há outro tanto tempo que ando para iniciar o álbum dela de nascimento;
- Desde que ela nasceu que quero começar a escrever uma espécie de diário dela para ela;
- Organizar as fotos que vou tirando;
Já para não dizer que tinha planeado escrever mais aqui na Salsinha. Que queria/quero recomeçar a estudar holandês....ler um livro, ver um filme, também não. Ou então são tarefas que são deixadas a meio porque tenho este pequeno ser que me suga de meia em meia hora ou na melhor das hipóteses de hora a hora...mas isto não são queixumes, DE TODO, são apenas constatações de uma ingênua que admite que aqui em casa não é diferente.
É por tudo isto que penso frequentemente nas mulheres que embarcam na maternidade sozinhas, por decisão ou por acaso do destino, ou aqueles que por mais acompanhadas que estejam estão igualmente sozinhas nesta aventura. Não que seja impossível fazê-lo sozinhas, não o é, mas que é muito mais dificil, deve ser.
Eu tenho quatro semanas desta aventura, na qual estou rendida, e confesso que adoro a hora que o Gerben chega a casa e eu divido com ele este amor e esta responsabilidade. E ele, bem dele eu não posso dizer que me ajuda, pois isso seria injusto. Ele faz tudo comigo, ele não me ajuda, nós ajudamo-nos um ao outro. E é tão bom partilhar esta felicidade e este amor um com o outro. Este amor que nasceu de uma história tão bonita como a nossa.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Duas semanas de ti, Lia

Há duas semanas que vivemos em função da nossa princesa. Têm sido duas semanas de descoberta, de aprendizagem, de adaptação, de encantamento, deslumbramento e sei lá mais o quê.
A primeira semana foi de aprendizagem intensa com a ajuda da kraamzorg. Uma ajuda preciosa para uma mãe de primeira viagem. Ela chega quase como uma "mãe" e ensina "tudo", transmite-nos confiança e segurança.
Sinceramente um apoio de louvar, não sei como as pessoas fazem em Portugal, depois de saírem do hospital com o bebé. Possivelmente vai-se pelas ideias dos familiares, vizinhos e afins, mas ter a ajuda de alguém neutro e profissional é sem sombra de dúvida uma mais-valia.
Eu era das que torcia o beiço as ideias da Holanda quanto a forma como conduziam a gravidez. O assistidas por parteiras, em vez de médicos, os partos em casa, o não a epidural, o vir para casa logo a seguir ao parto...etc, etc, etc. E agora sou eu que digo aqui é tudo muito mais natural. Tenta-se que este momento seja único e o mais natural possível, porque é isso que ele é, um acontecimento da natureza. Os médicos estão lá e só entram em ação em caso de risco.
Eu vim para casa 4 horas depois do parto. Ninguém me expulsou do hospital. Apenas me disseram que estava tudo bem comigo e com a bebé e quando me sentisse preparada podia ir para casa. E eu queria muito vir para casa. Ver o Yofi e a reação dele com a Lia. estar no conforto do meu lar com os amores da minha vida.
Voltando a estas duas semanas...o Gerben decidiu tirar férias e ficou comigo uma semana e meia. Foi ótimo vivermos os dois este momento único, foi como estarmos os quatro dentro de um casulo. Acordarmos, olharmos para a nossa menina, sentir que era mesmo verdade que ela estava ali, aprender a amamentar, mudar fraldas, dar o primeiro banho, tirar a temperatura, vestir, vê-la a abrir e a fechar os olhinhos, a olhar para nós. Tamanho deslumbramento.
Da primeira para a segunda semana sentimos muita diferenças. A Lia passou de um bebé muito calminho na primeira semana, que só dormia e tinha que ser estimulada para comer para um bebé consideravelmente ativo, que chora (berra) imenso se está com fome e que quer atenção quando está acordada. E nós adoramos tê-la ao nosso colinho, sentir o cheirinho dela, dar-lhe beijinhos....e sentir este amor que só tem espaço para crescer.
A pesagem

Yofi , o protetor 

O primeiro banho, dado pela mamã 

O segundo banho, foi a vez do papá 

A primeira visita, os avós paternos 

O teste do pezinho 

O primeiro passeio pelo parque - com uma semana


Amor, amor, amor....


A desfrutar do solinho na varanda e a completar duas semanas de vida
Amo-te Lia.  

Bem-vinda princesinha

Depois de 36 horas desde a primeira contração,
Muitos ais e uis,
Uma demorada dilatação,
Uma epidural, a contrariar as minhas expectativas (nem tudo se controla),
Um atendimento excepcional de toda a equipa desde o primeiro ao último segundo no hospital St Lucas Andreas,
E um tempo recorde de expulsão (segundo a parteira) 13 minutos....chegou a nossa princesinha Lia, no dia 13/08/2014 às 14:30 com 3.020 kg.
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Este momento único que é o nascimento dum filho só quem o viveu saberá sentir a intensidade do momento. Não há palavras por mais bonitas que elas sejam para descrever a beleza deste acontecimento.
NADA, na minha vida, foi tão intenso como receber a minha filha no meio peito a seguir ao seu nascimento. Quero guardar, para sempre, na minha memória e no meu coração este milagre da natureza.

Este pequeno ser a quem conhecemos num minuto e passamos a amar incondicionalmente, mais do que à nossa própria vida. Passamos a vida a ouvir isto de outras mães, mas só se acredita quando se vive.
Este pedacinho de gente que chega e nos rouba o coração. Tanto eu como o pai estamos  completamente rendidos a ela.
Bem-vinda princesinha. Bem-vinda amor das nossas vidas. LIA.

Ainda no hospital, cerca de uma hora e meia depois do nascimento

 
Papy e mamy a cumprirem a tradição holandesa. Fomos os primeiros a comer as beschuit met muisjes.  São basicamente umas tostas com umas bolinhas doces com sabor a anis. Se for menina as bolinhas são cor de rosa, se for menino são azuis.  Estas são uma forma de dar as boas vindas à chegada do bebé e são oferecidas a quem visita o bebé. 
Neste caso, mais um ponto a favor do hospital. Assim que a Lia nasceu fomos presenteados como uma mini garrafa de champanhe e com as ditas muisjes. 


Desde que a Lia nasceu que nos chegam a casa todos os dias postais de parabéns. Já são dezenas. E eu gosto tanto deste carinho para com a minha filha. Sabem bem estes miminhos. 
Pena que em Portugal tenhamos perdido o hábito de enviar cartas e postais. Todos os que me chegaram foram da Holanda e o que eu gosto desta tradição.