sábado, 30 de maio de 2015

Maio - 5 capítulo

Maio foi um mês triste. 
Foi um mês com dor. Muita.
Projectos que estando no quase não se concretizaram.
Uma perda. Uma perda muito grande.

  
Balanço: 
Dor
Coisas boas: 
O consolo das pessoas que amo
Uma palavra: 
Luto
 
Abro o coração a Junho. Entrego-me e quero acreditar que vai ser melhor. 
Tem que ser melhor.
Acreditar
Lutar
Persistência
Otimismo
e
Paciência
Serão as palavras de ordem

palavras soltas

Depois de uma semana muito dificil de digerir. Estou sozinha.
O homem pegou na criança e no cão e foi dar uma volta. Foi passar o dia com os pais.
Assim foi porque eu preciso de tempo e espaço para mim. Para o silêncio. E sobretudo para me preparar para o exame que está a bater à porta. 
Apetece-me estudar? Não! Mas tem que ser!
Já invetei mil e uma coisas para fazer. Devia ter ido para a biblioteca. eu sabia que ficar em casa não me ia ajudar.
Estou desejosa de virar esta página da minha vida.
Contudo este post é para dizer que estou sozinha em casa. Sabe bem?
Sim e não.
Está vazia. Muito vazia. E eu não gosto de coisas vazias.
Despedi me da moça como se não a fosse ver uma semana.
O coração fica sempre apertadinho.
Fiz mil e uma recomendações ao meu homem. 
A hora que ela tem que comer, dormir. Coloca o chápeu se andares ao sol. O protetor solar também...Foi com a lacheira preparada para pelo menos 2 dias não vá a pequena dar lhe um ataque de fome inesperado. Vai com cuidado. Coduz devagar. Manda-me uma mensagem quando chegares. Mandou? ainda Não......ahhh ok mandou mesmo agora. Já estava capaz de o comer.
Eu estou sozinha.
Há meia hora ligaram-me duas amigas. Amigas que me fazem muito bem aqui. Que me fazem sempre rir, nào fossem elas brasileiras.
Andam as duas batendo perna na rua e desafiaram me para o café. Queria tanto ir. Cedi à tentação. Já sei que não era só por uma hora. Acabaria por ficar a tarde toda e não pode ser. Poder posso, nao devo. Grrrrrrrrrr
Estou sozinha e sei-o (não sei se esta forma verbal existe mas agora pareceu-me bem).
Mas ando pela casa em pezinhos de lã como se alguém estivesse a dormir no quarto ao lado.
De cada vez que faço um barulho fico à escuta se alguém acorda.
Estou sozinha.
E sei-o.

"amor é sentir saudade de muitos anos depois de 5 minutos sem te ver" 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Porque as palavras não dizem NADA

Conheci-a no sexto ano da escola.
Era a melhor aluna.
Pacata.
No oitavo ano juntei-me a ela e à Cristina que já eram amigas. Foi o começo de uma longa amizade.
Os anos passaram, mudamos de escola e a nós juntaram-se a Sandra e a Olga.
Éramos 5. Inseparáveis.
Fazíamos os trabalhos de grupo sempre juntas. Íamos no autocarro ao pé umas das outras.
Éramos confidentes. Inocentes.
Conhecemos os primeiros namorados umas das outras. Rimos e choramos. Juntas.
Das 5, eu era a mais ralheta, a Sónia a mais pacata.
Recordo-me de uma discussão enorme que tive com o professor de espanhol Álvaro Araujo. Discussão onde saí de sala batendo com a porta. No intervalo, a Sónia veio ter comigo e disse-me “mas porque é que tu não sabes estar calada” eu respondi-lhe “é tão difícil para mim estar calada como para ti falar”. Ela percebeu a mensagem. Respeitou-me.
Temos tantos momentos juntas. Memórias de um tempo tão bom, tão leve, tão cheio de despreocupações.
A Sónia continuava a disputar o lugar de melhor aluna com uma menina, a Rosa.
Acabou a escola. Cada uma seguiu o seu caminho. Ela foi para a Faculdade. Eu Não.
Ela continuou tímida eu extrovertida.
Mantínhamos o contacto uma com a outra por telefone.
Recordo-me que um dia foi me visitar a uma loja onde eu trabalhei. No final disse-me que sentia a falta da minha boa disposição, das minhas palhaçadas e riso fácil.
A Sónia era uma pessoa pacata, introvertida, melancólica até. Mas eu lembro-me da sua gargalhada quando alguma coisa a fazia realmente rir.
No dia 27 de Maio de 2006 partilhei a alegria do seu casamento. Ela estava tão bonita e tão feliz.
Anos depois nasceu a Catarina, a menina dos olhos dela.
A última vez que nos encontramos as duas, a sério foi antes de eu vir para a Holanda. Ficamos as duas na casa dela à conversa até de madrugada.   
Havia tanto por dizer. Choramos e rimos com as coisas umas das outras. Os últimos anos não tinha sido fáceis para ela. A doença da mãe, depois do pai. Os problemas familiares. Enfim. Um rol de coisas que a atormentavam.
Mas aquelas horas à conversa fizeram-nos tão bem.
Eu vi para a Holanda. E o contacto ficou cada vez mais escasso. Uma mensagem no aniversário, no Natal ou num ou outro acontecimento mais relevante.
A 19 de Outubro de 2013 a Sónia foi com o marido e a filha ao meu casamento. Foi a última vez que a vi. As últimas palavras que me disse pessoalmente foram “Ana o teu casamento foi o mais bonito que já assisti. Vê-se que tudo foi feito com amor e que vocês estão muito felizes. Parabéns”.
A Sónia era de poucas palavras, mas palavras profundas.
No dia 23, pelo meu aniversário, recebo uma mensagem dela “Muitos parabéns. Um dia de anos muito feliz junto dos teus queridos”. Eu respondo-lhe ‘Obrigada minha amiga linda. Eu sou uma desnaturada  pois esqueço me sempre do teu. Um beijinho muito grande”.
Foram estas as últimas palavras uma para com a outra.
A Sónia morreu nessa madrugada nos braços do marido com um ataque cardíaco fulminante. A filha dormia inocente no quarto ao lado. Nunca mais vai ver a mãe.
Hoje, no dia em que faria 9 anos, as pessoas que foram ao seu casamento, estão neste momento a ir ao seu funeral.
O que sinto. Não sei. Um vazio. Uma tristeza inexplicável.
A morte será sempre injusta. A morte será sempre inoportuna. A morte será sempre inimiga.
Mas uma menina de 5 anos não pode ficar sem a mãe!
A Sónia perdeu a vida.
O Nuno está desorientado, perdido.
A Catarina perdeu a mãe dela.
A mãe que era o seu mundo há 4 dias atrás, hoje já não é nada. Já não é mãe é apenas um corpo a ser velado.
A Sónia que foi MÃE e tinha naquela menina o mundo dela não vai poder acompanhar a filha no primeiro dia de aulas, não vai poder abraçá-la no primeiro desgosto de amor ou felicitá-la quando acabar os estudos.
A Catarina, para quem a mãe hoje é tudo, daqui a uns anos vai perder essas lembranças.
Todos perderam!
Adeus minha querida Sónia.
Adeus minha querida amiga.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Já era mãe, antes de o ser

Um amor grande. Ele é a minha vida. Ele é eu. E ele é tão meu. E tão nós.
Ele é tudo e TUDO é por ele.






9 meses de ternura

9 meses de amor incondicional,
39 semanas de dedicação,
273 dias de TI.

Foi um mês tão cheio de tudo meu amor. Tantas emoções, descobertas, aventuras. Fomos à Turquia, às tulipas, aproveitamos o sol, visitaste o bisavô, passeamos no parque, andaste de balouço, mimamos, celebramos o Koningsdag, fomos à música, andaste de bicicleta com o papá, vimos os porquinhos e as cabrinhas na kinderboderij... Estás cada vez mais desperta, mas curiosa, irritas-te sozinha quando não alcanças os brinquedos, começaste a engatinhar, pouquinho, para trás. Choras muito no colo de pessoas estranhas. Deste-me um postal muito lindo no dia da Mãe.
És tanto- tudo- para nós.












 Já te disse que te Amo!?

terça-feira, 12 de maio de 2015

Diário de uma mãe a tempo inteiro

Vou relatar o meu dia. Vou tentar lembrar-me de tudo o que fiz. Para acreditar que fiz alguma coisa. São 22h30 e estou exausta. Ainda não está tudo feito mas estou exausta. Não fiz tudo o que queria mas estou exausta. E mesmo assim sinto que o meu dia passou e eu não fiz 'nada'.
7h30 a piolha acorda, o pai muda-lhe a primeira fralda, dá-lhe a vitamina D e uns miminhos depois deita-a na nossa cama. Eu dou-lhe maminha e muitos beijinhos. Cheiro, aperto-a. Ela reclama, dá sinais de sono. Levo-a para a cama dela são 8h30, apetece deitar-me outra vez  (de madrugada levei quase uma hora com ela). Olho à minha volta. Tanto para fazer. Não me deito. Começo.
Arrumo a louça nos armários. Prepara o pequeno almoço da pirralha (hoje é pêra, maça, 2 colheres de aveia e 2 tâmaras vai ao lume com um pouquinho de água e fica uma papa bem boa, a ver se é hoje que a faço comer aveia, até a data não se tem mostrado muito adepta).
O meu estomago começa a reclamar, começo a preparar o meu pequeno almoço (papa de cereais com muesli e uma boa caneca de café a ver se acordo). São 9h30 sento-me no sofá satisfeita para desfrutar do meu café. A pequena chora, levanto-me sem ter a oportunidade de sequer dar um gole no café. Vou ao quarto dela, ã minha espera tenho o melhor sorriso do mundo, “bom dia meu amor’ digo-lhe e ela responde-me na sua língua animada.
Levanto-a e a minha espera tenho uma prenda. Mudo-lhe a fralda e entretenho-a com os brinquedos enquanto engulo o meu pequeno almoço. São 10h e ela já dá sinais de fome. Termino o meu e dou-lhe o dela. Adorou a papa repetiu 3 vezes (pequenas quantidades).
Brinco com ela. Dou-lhe mil beijos. Tiro uma foto ou outra. Acho sempre que tiro poucas fotos e hoje é o ultimo dia dos 8 meses. São 10h45 vou para a cozinha. Ela fica a brincar. Preparo ao mesmo tempo 2 sopas para ela. Uma de frango abóbora, batata berinjela e alho francês, a outra apenas com legumes: pastinaca, brócolos, cebola, tomate e cogumelos. Ela começa a choramingar, coloco-a para dormir. São 11h30, entro no banho (com direito a esfoliação e tudo). Ainda não estou completamente vestida e ouço a pequena. Termino e vou ao quarto dela, mais uma prenda. Mudo a fralda, dispo-lhe o pijama e visto-lhe uma roupinha light, está um dia, mais ou menos, bonito.
Tem fome. Escolho a sopa só de legumes para o almoço. Enquanto preparo as coisas faço duas torradas para mim. Comemos juntas e mais ou menos meio dia e meio.
Ela brinca, eu lavo a louça. Coloco a maquina a lavar com as mantinhas do Yofi, que no meio disto tudo vomitou a cama (anda mal do estômago). Tiro a roupa que já estava seca no estendal, dobro-a, arrumo-a no armário, lavo a louça que já era uma montanha, estendo as mantinhas do Yofi. Dou-lhe um beijinho e faço-lhe uma festinha. Ele não está bem. Precisa de ir à rua, mas a pequena quer dormir. Deito-a. Ela dorme, são 14h. Eu Almoço o resto do jantar de ontem (douradinhos com arroz de ervilhas), troco umas mensagens com uma amiga de Portugal. Ela precisa do meu ombro e eu preciso do dela (fazes-me tanta falta Marta). No meio disto tudo vou vendo os emails no PC e uma outra coisa pendentes. Ela acorda. São quase 3 horas. Mudo-lhe a fralda. Dou-lhe um naco de pão para as mãos que ela adora ‘roer’. Visto-lhe o casaco. Enquanto ela se entretém com o pão. Desço o carrinho de passeio, volto a subir, ponho a trela no Yofi e desço com os dois (vivo num segundo andar sem elevador e com escadas de caracol). Passeamos os 3 no parque. O Yofi corre, come erva e vomita mais. Nós damos pão aos patinhos e vimos as cabrinhas na Kinderboderij. Vamos para casa. Com ela ao colo ‘desmonto’ o carrinho de passeio – uma aventura- deixo-o à entrada. Subimos os 3. Preparo-lhe uma metade de uma manga para o lanche. Ela adora. São 16h15. Descemos outra vez. Vamos ao drogista comprar vitaminas. Passamos pelo supermercado para comprar os legumes para o jantar, leite e pão. Vamos para casa. O marido liga para saber se precisa passar no supermercado. Não precisa. Chegamos a casa ao mesmo tempo são 17h30. Damos os beijinhos e os miminhos uns aos outros. Os 4. A pequena vai roendo um palitinho de pão. O pai prepara-lhe, dá-lho o banho enquanto lhe diz como correu o seu dia, passe-lhe o creme, veste-lhe o pijama o banho.  Eu preparo o jantar (cuscuz de frango e legumes, aproveito o frango e alguns legumes que sobraram da sopa dela) coloco a mesa, aqueço a sopa dela e a comida do Yofi (arroz com frango e legumes). São quase 7h e começamos a comer. Todos juntos. Bebo um vinho, ele uma cerveja. Falamos. Sorrimos. Estou cansada. São 7h30 e a pequena está a cair de sono. Começa a choramingar. Começa o ritual, que hoje excepcionalmente foi um nadinha alterado. O pijama já está vestido. O pai coloca a música para dormir (Bon Iver, álbum For Emma, Flume), dançam um pouquinho, dizem boa noite à senhora planta e da janela ao senhor vizinho. Eu tiro mesa. Coloco a roupa dela na máquina a lavar. Boa noite ao Yofi ao papá. Agora somos só nós. Estes 20 minutos que também podem ser 40 num ato de tamanho amor. Dou-te o leitinho que te faz dormir. Gosto tanto deste momento. Estou cansada, os meus olhos querem fechar, mas eu quero olhar-te, assim tão calminha, tranquila, em paz. A dormir nos meus braços enquanto te alimentas de mim. Amo-te.  Coloco-te na cama. São 20h30. Queria não fazer mais nada. Não posso. Posso. Não quero. O homem já lavou a louça. Está a ver futebol. Vou para a cozinha faço um bolo de chocolate e coco (a pequena faz amanhã 9 meses) .O bolo fica no forno e eu estendo a roupa da pequena que entretanto acabou de lavar. O homem pergunta se quero ajuda. Ignoro-o. Não por mal. Estou cansada. Ele percebe. Apanha as mantinhas do Yofi que ainda estavam na rua. O bolo acaba de cozer. Faço a cobertura de chocolate e barro o bolo. São quase 22h30. O homem vai correr com o cão e eu finalmente sento-me um bocadinho aqui. Escrevo. O homem chega, lava a louça suja do bolo, vem ao pé de mim e diz-me “eu já lavei a louça posso comer uma fatia de bolo?” Não! É para amanhã, para os 9 meses da piolha.
Pelo tempo que esta mensagem me levou a escrever, presumo que fiz muita coisa, ou pelo menos não parei um segundo. Fiz tudo o que queria? Não! Não estudei, não fiz exercicio fisico, não organizei as fotos...
Os meus dias não são todos assim (são quase todos, quando não há duas sopas para fazer, há uma casa para aspirar...). Mas também há dias em que há tempo para mais mimo, mais brincadeira, para ler um livro, dançar, fazer palhaçadas.
Não me pagam um salário. É pena. Porque eu acho que sou uma boa funcionária. Comecei às 8h e só parei às 22h30. Sem grandes paragens para comer ou beber café. Não reclamo com o meu patrão, não lhe peço aumento, nem redução de horas de trabalho. Sou uma boa funcionária, dedicada, assídua e pontual, mas não recebo salário.
E gosto tanto deste trabalho. Faço-o com o melhor de mim. Com amor.
São 23h30 daqui a nadinha vamos dormir.
Boa noite.

(deve haver erros/falhas pelo meio mas não me apetece nadinha corrigir isto tudo)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Apontamento do momento


Believe

Como eu queria ter uma máquina do tempo. Recuar. Mudar um sentido. Apenas um.
E tudo seria diferente!

Areditar. Acreditar que tudo têm uma razão e que o rio segue o seu curso mesmo por águas turvas.
Acreditar que o universo conspira sempre a favor. Sempre.
Não da forma como planeamos, como queriamos, mas no fim das contas. Sempre a favor.
Acreditar. Hoje.
Acreditar. Sempre.



domingo, 10 de maio de 2015

Dia da Mãe são todos

No domingo passado, dia 3, foi o Dia da Mãe em Portugal, hoje é-o aqui. No domingo passado só no final do dia é que comentei cá em casa que o era em Portugal. O homem não sabia e deu-me um raspanete. A correr foi comprar o mais bonito buquê de tulipas.
Hoje é-o aqui. E eu não quero mais nada, se não estar em família. Não preciso de mais malas, sapatos compro-os quando preciso, bijuterias e acessórios não me fazem falta, já sou bonita p a natureza assim  o quis (sim, tenho-me em muito boa conta, isso é mau!?). Preciso e quero apenas um abraço, o melhor beijo do mundo e uma lambidela. Sou feliz assim.
Dia da mãe. É um dia simbólico, como o é o dia do pai, o dia do cão, o dia da mulher, o dia dos namorados, o dia do sol posto, o dia de...Não sou mãe por um dia. Comecei a sê-lo a 20 de Dezembro de 2013, quando o teste o confirmou. Acho até que comecei a ser mãe antes, quando passei a detestar o cheiro do café.
Gosto do dia pelo simbolismo, sim. Não pelo consumismo e a obrigação dos presentes. Cá em casa há uma regra (minha) não quero coisas nem no meu aniversário, nem no Natal, nem no aniversário de casamento, de namoro, do cão... Quero sim um mega abraço, um bilhetinho debaixo da almofada, uma massagem pelas mãos de quem me ama, um postal enviado pelo correio,  um pequeno almoço especial, uma flor apanhada no parque e tantas outras coisas que me fazem formiguinhas na barriga. Uma viagem em família e um jantar especial de cada vez em quando também me fazem feliz e são os nossos presentes um para o outro.
Sei que vou gostar. Vou chorar. Vou adorar os teus desenhos, os presentinhos feitos por ti nesse dia para mim. Mas quando cresceres nunca, nunca vás a correr (acabei de receber o meu presente do dia da mãe enquanto escrevia esta mensagem, na biblioteca de frente para a rua apareceu-me o homem com a cria e o cão em frente à janela só para me mandar um beijinho. É disto que falo. Ok, hoje é sábado e a mensagem que escrevo será agendada para amanhã) de última hora comprar um perfume, só porque sim. Manda-me um postal, liga-me ou reserva umas horas do teu dia para almoçares comigo, irmos ao cinema ou bebermos chá acompanhadas com o bolo que eu fiz para ti. E nem se quer precisa ser neste dia, mas sim quando o teu coração entender que é o dia da tua Mãe, meu amor maior pequenino. Já te disse nesta mensagem que te amo!? AMO mais do que pensaria ser possível.
Sabes Lia tens uma mãe do contra, desde pequenina. Desde a escola. Acho até que não sou fumadora porque sou do contra. Pertencendo a uma geração em que todos fumavam e que fumar nos emancipava, eu passei ao lado porque não gosto de tendências. Gosto do contra. Se este verão se deve abusar do amarelo, eu vou usar do vermelho.  
Não queria falar das mensagens nas redes sociais. Mas vou falar. Não é uma critica má é apenas um pensamento, uma pergunta. Vejo dedicatórias tão sentidas e tão bonitas para as mães e depois lembro-me que aquela mãe (que eu saiba) não tem conta no facebook e até não sabe usar a internet e quero acreditar que aqueles filhos irão à casa da mãe mostrar-lhe no PC “olha mãe, gostas? Escrevi esta mensagem para ti na internet e todos poderão ver o quanto gosto de ti. Nunca te o disse assim com estas palavras tão bonitas porque pessoalmente custa muito e eu já sou um homem/uma mulher feita e tu sabes de qualquer maneira. Este mês ainda não tive tempo para te ir visitar porque estou com muito trabalho mas prometo-te que para o mês que vêm depois de ir viajar, do almoço que já tenho marcado com amigos, de ir passear o cão e lavar o carro vou arranjar um tempinho para beber um chazinho contigo mãe. Gosto muito de ti mas tu sabes e agora toda a gente também o sabe no facebook”.  Promete-me minha Lia que nunca me vais escrever no facebook, sem antes me o dizeres pessoalmente.
Este é o presente que te peço. Tempo e amor.
Amo-te princesinha.

sábado, 9 de maio de 2015

Amanhã será melhor.



Ufa. Não está a ser um Maio fácil. Este Maio que eu tanto gosto e que é o meu Maio.
Quando pensamos que descobrimos o caminho, avançamos para logo percebermos que era o errado. Voltar atrás depois de tantos passos dados. Recomeçar. Nem sempre é mau, mas tantas vezes cansa. Até ao ponto de reconsiderar se é este o caminho, se não estou apenas a lutar contra a maré. Nas alturas de crise nunca vemos a solução, nunca percebemos a razão. E eu sou das que acredita que nada é por acaso. Mas nos entretantos, dói.
O destino que dá também tira.
Como em tudo, há um tempo para o ‘luto’. Hoje é o tempo para ele. As forças cedem, o otimismo falha. 
Tudo vai passar. O tempo é amigo é conselheiro é altruísta.
Amanhã será tempo para limpar as lagrimas, lamber as feridas, erguer a cabeça e recomeçar. Do zero se assim for preciso. Mas, hoje, dói. 

Perdemos esta batalha mas queremos ganhar a guerra.